Eu tenho (ou melhor: tinha) uns amigos que, sei lá porquê, não ligavam muito pra mim. Minha teoria é que, sendo eu bem mais sério que eles, menos infantil e gostando menos de bancar o palhaço, eles viam que estando comigo, não podiam se divertir do jeito que queriam. Por isso começaram a se "afastar" de mim: organizavam jantares e não me avisavam... sei lá, simplesmente deixaram de encontrar-se comigo. Sempre arranjavam qualquer desculpa esfarrapada pra gente não se ver.
Não muito tempo atrás, eu fui num bar onde eu sei que eles costumam jantar juntos quase toda sexta-feira. Confesso: fui à procura deles, sim. Só pra ver com que cara eles ficavam ao ver o filho caçula da minha mãe. Uma menina do grupo disse:
-Hey Rubens, justo agora a gente estava falando de você, fazia um tempão que a gente não se via!
Eu respondi com a maior frieza:
-Isso é porque vocês não querem! Ou não têm o número do meu celular?
-Que é isso, amigo? É que eu perdi seu número!
Eu tive vontade de dizer: "Tá pensando que eu sou tão otário como vocês? Como é que um número pode se 'perder' se ele está gravado na memória do seu celular? E nem que isso fosse verdade (pode ter sido apagado sem querer, por exemplo), que que foi? TODOS VOCÊS perderam meu número?"
Mas eu não quis pegar pesado (mesmo com o mau gênio que eu tenho, não gosto de briga), e simplesmente dei meu número de novo pra ela (não me importo com o que ela faça, mesmo...). E nem preciso dizer que ainda não me ligaram... isto é, até hoje. Eu conto:
Semana passada, outro cara desse grupinho levou o carro dele no conserto, lá em Pamplona (uma cidade que fica a uns 90 quilômetros de onde a gente mora). Ele levou o carro até lá porque ainda está com a garantia em vigor, e nesse caso é melhor consertar o carro no mesmo lugar onde ele foi comprado. Pois bem: o carro já está pronto, e hoje o cara me ligou pra ver se amanhã eu podia acompanhá-lo até Pamplona. A gente ia no carro do pai dele, que não pode guiar porque está com uma perna quebrada, e na volta ele trazia o seu carro, e eu trazia o carro do pai.
"Olha só", pensei eu. "Só lembra de mim quando precisa de algum favor? Agora EU é que não quero saber nada!"
E eu disse pra ele:
-Pô, cara, não vai dar não. Já disse pra minha mãe que amanhã vamos comer polvo num restaurante lá da costa (aliás, é a pura verdade). Caso contrário, eu te faria esse favor com o maior prazer. Mas seja como for, obrigado por confiar em mim.
É isso aí, "mermão". Vai ser interesseiro assim, lá na casa do...
Eu não compro a amizade de ninguém!!!!